Dor

E se todo o sim fosse composto de um não?

E se toda verdade acompanhasse um perdão?

Pela vida dura que se faz doer

Pela chama pura que te fez nascer

 

Sentimentos densos que salvam a emoção

Dor inigualável com erupção

Das salivas verdes que surgiu da terra

Aguardando o sol sorrir na primavera.

Arqueiro

De todos os três que provei

Você foi o que mais me tocou

De partes que eu te encontrei

Seu sangue por mim ecoou

 

Singela. Completa. tremida. Perpétua.

 

A dança sem dança simbólica

A lança que encanta seu toque

 

Lenta como devaneio

Sóbria como tentação

Leve como pesadelo

Flecha como furacão.

É dia de estrela

O sol brilhou por todo o dia
A noite embala a tua melodia

Brilha, cheia de estrelas pra te ver brilhar
Sinta, toda a energia a nos aproximar

Ele dança através de palavras
Ele chama a poesia de casa

Hoje mais uma estrela apareceu no céu
Presenteando o sonho de romper o véu

No amanhã a luz que bate ao meio dia
Transcenderá o rosto da tua alegria

E a ciranda cada vez mais envolvida
Nos ensinando o sentido desta vida.

É preciso ser ela

Da pele doce ao toque delicado, ela dança enquanto ela sonha, ela canta enquanto ela ama. Face de fada, veste de asa, corpo de borboleta, meus olhos registraram sua chegada no momento em que parti. Inconscientemente me lembrei e relembrei quem tu eras, tu que havias acabado de chegar, estava novamente ali, em um convite dançante.

Nos rendemos a esse reencontro de rendas, de tecidos, de flores e de primaveras. Num espaço de tempo curto para uma vida eterna, em segundos que giravam o mundo com as nossas descobertas.

Não digo que houve uma partida, apenas um distanciamento dos corpos para um exercício do espírito. A mente estreitou mais o laço, de um passado distante, de um futuro de paz. Sinto sua presença na fala, na terra pisada, na canção esquecida. Vejo tuas mãos delicadas, quando a minha casa, uma borboleta visita.

Não basta toque, é preciso sentir. Não basta força, é preciso seguir. Não basta ser gente, é preciso olhar. Não basta a vida, quando a deixo passar.

É preciso viver, é preciso sonhar, é preciso nascer.
É preciso ser ela para ser Daniela!

Feliz Aniversário, minha amiga!

O gosto da nostalgia

Seja num gole, num cheiro, num cheio de mistério
Ela vem e volta, como num piscar, num mar, num balançar
É o que anima, o que examina, o que investiga
É o que excita, é que o fascina, o que necessita

Pensando no que me fez repensar, vou renovar os formatos, retomar os laços e voltar a publicar. Os sentidos precisam ser entendidos para serem sentidos e então nos movimentar. Cada doce, cada suor tem a cor de um sabor. Cada bebida, cada descida, tem um tom de redentor.

Mas como a onda, ela vai e volta
Mesmo que eu me desprenda, ela há de recuar
Assim já fez, foi feito
Mas para ter efeito é preciso retornar

Do ponto inicial, do fim do terminal
Da dor à melodia, da paz à agonia.

Chá das cinco

Luzes baixas, mesa de brechó
Cálice de ouro, doces de cipó

Fui convidada com soberba por você
Desenfreada com seu fel me envenenei

Tecidos caros empoeirados no baú
Papéis picados entre as traça do bambu

Sua esquina, seu universo
Sou menina, és perverso

Face de bruxo, misto de neandertal
Seu corpo enxuto vibrou meu corpo como carnaval

Seu toque seco, boca molhada
Primeiro gole, água para a entrada

Provei de novo e queimei como café
De gota a gota, escorrendo até o pé

Seu gosto é puro, com sabor de hortelã
Sou Eva santa, me encantei pela maça.

Novos tempos

Espírito que respira através de um novo estado

Um buraco mais profundo, buraco mais vazado

Inaugura-se mais uma camada nesse montante de descobertas

Silêncios, moradas, pontes com ocultas retas

Um caminho curto para ser longe demais

Um caminho louco pra deixar pra trás

Por isso segui, por isso senti, por isso deixei, por isso voltei.

Baile de máscaras

Imagem

Abram as cortinas pois o baile começou
Faces misturadas gritam junto com o louvor
Qual delas você usa pra dançar?
Qual delas você usa pra tocar?

Escolha por prazer, escolha com vontade
Cuidado quando a fama se constrói com vaidade

Esconda-se e entre nessa dança
Mostre-se depois que destruir nossa ciranda

Qual delas transformou em melodia?
Qual delas destruiu com alegria?
Tristeza de palhaço encantador
Sorriso de assassino malfeitor

Tire a sua e deixe que eu me aproxime
Quero entrar na face, permita que eu te examine

Traços que encontro, discursos que ficam pra trás
Panos, tecidos e plumas disfarçados em alcatraz

Com qual você dança? Com qual você cansa?
Com qual você chora? Com qual você sorri?
Com qual a vida deixa o seu corpo proibir?

Com qual você chora ou você tira pra chorar?
Faça a sua escolha e traga sorte pro azar

Entre com a sua pois aqui você não é
Por trás dos seus retalhos você faz o que não quer

Louca poesia de desejo e fantasia
Máscara que morde que corrói o que não vê
Sofra nesse estado de loucura e agonia
Mostra o que teu colo descobriu só por você

Fogo que desmancha, laço que desfaz
Escolha o seu segredo e me conte o que há por trás
Sombra que não vê, forma que escapou
Veste mal armada sopro longe que não vou

Frases que só cumprem seus desejos com fervor
Lutas que mascaram seu futuro protetor
Sopra a melodia que tocou pro seu dançar
Tire a sua capa e desnudado vem mostrar

Troca com fascínio, usa sem prever
Perde o seu destino quando esconde o que não vê
Febre que irradia, dor sem contenção
Desgaste de uma vida escondido na prisão.

Agradecimento especial ao artista Thiago Akira, por permitir que publicasse sua arte no Rosas e Armas.
Além de ilustrar, a imagem foi o motivo de inspiração inicial para esta poesia.

Estranhos, embora íntimos

Anjo bom do perfume que inebria
Veste branca com borrado de batom
Nesta noite só teu colo aqueceria
Minha cama, cobertor e edredom

Sou estranha, sou princesa não lembrada
Sou amiga, sou amante mascarada
És tão belo quanto eras no passado
Ontem louco, hoje és meu namorado

Anjo bom, pele branca delicada
Toque sua harpa pra trazer a melodia
Com suas notas e seus toques tão singelos
Resgatou minha pureza que perdia

Sou tão doce, sou tão fera como um homem
Sou tão sua, sou do mundo que vivi
Vem pra mim, vem cuidar da sua estranha
Tão comum, pois contigo eu dividi.

Desnecessário

Não seria necessário um toque, muito menos um beijo
Bastaria um olhar para que lembrasse a conexão
Não seria preciso um abraço, nem matar os meus desejos
Pois o tempo que nos separou me ensinou a conhecer a solidão

Sinto você todos os dias
Quando canto com os pássaros e amanheço com o sol
Sofro de dor a cada alegria
Que deprava o meu andar e insulta o meu perdão.